Iets na mídia
Cidade de Deus no caminho legal
Entidades públicas e privadas criam grupo para apoiar empreendendores
O Dia, 12 de dezembro de 2009
POR RICARDO ALBUQUERQUE
Rio - Um grupo de entidades públicas e privadas prepara uma série de incentivos para a Cidade de Deus, apontada pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) como a região pacificada que apresenta as melhores condições de crescimento econômico. Secretarias municipais de Fazenda e Educação, Sebrae, Light, Banco do Nordeste e ACRJ buscam medidas, em conjunto, para oferecer serviços e oportunidades aos comerciantes locais.
"A informalidade está na raiz do poder paralelo", observa André Urani, presidente do Conselho Empresarial Pró-Formalidade da ACRJ. "Podemos pensar no futuro, quem sabe, numa cadeia de supermercados chegar à Cidade de Deus, mas o importante é fortalecer o empreendedor individual", completa. Na cidade de São Paulo, a Casas Bahia inaugurou filial na comunidade de Paraisópolis.
A ideia de criar uma associação de micro e pequenos empresários da Cidade de Deus agradou a André Urani. "É uma resposta definitiva ao poder paralelo e, com certeza, traz esses empreendedores para o lado da lei", observa. O tamanho da área ocupada em terreno horizontal (135 mil km²), o número de moradores (cerca de 65 mil) e a localização (perto da Barra da Tijuca) são apontados como os principais fatores para o crescimento econômico da Cidade de Deus após a ocupação da UPP.
Nas favelas do Leme, especialistas apontam o turismo como uma das vocações que podem ser exploradas.
Alvará gratuito em janeiro
No Santa Marta, os 15 barraqueiros instalados há 15 anos ao longo da Rua Marechal Francisco de Moura - acesso à comunidade - aguardam o sinal verde da Secretaria Municipal de Fazenda para tirar o alvará gratuito, para regularizar as barraquinhas de churrasco, bebidas e feijão de corda.
"Acredito que isso já aconteça em janeiro", diz o presidente da Associação de Moradores, José Mário Hilário. Mas nem todos se derramam em elogios às mudanças provocadas pela ocupação da PM. "Meu bar ficava cheio quinta, sexta, sábado e domingo. Em dia de baile funk, então, nem se fala. Agora, perdi 90% do movimento", reclama um comerciante informal do Santa Marta.
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